quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A IMPORTÂNCIA DO PENSAR E CONHECER-SE NA MAÇONARIA

Prefácio
Apresentamos aqui um texto que ilustra muito bem o ato de pensar, a sua importância para o homem e muito mais ainda, ao homem maçom... Um conceito interessante para a expressão: "Conheça-se a ti mesmo..."
José Carlos Ramires
20 de agosto de 2015
Dia do Maçom

A IMPORTÂNCIA DO PENSAR E DO CONHECER-SE NA MAÇONARIA...

Actualizado em Sexta, 27 Junho 2008 11:45

O Ser humano distingue-se dos demais animais pela capacidade de processamento de
informações através do ato de pensar.

Pensar é formar idéias na mente, é imaginar, considerar ou descobrir. O filósofo René
Descartes disse: “com a palavra pensar entendo tudo o que sucede em nós, de tal modo que o
percebemos imediatamente por nós mesmos: portanto, não só entender, querer, imaginar, e
sim também sentir é o mesmo que pensar”. Pensar estabelece relações, as conceitua e
encontra um significado para elas. Formar relações entre vários conceitos é julgar. Estabelecer
o significado de vários conceitos é raciocinar. Assim o ato de pensar implica três funções
básicas: conceituar, julgar e raciocinar.

O pensador mexicano Antônio Caso dizia: "liberdade é pensamento. Pensamento é liberdade.
Na essência do pensar está a autonomia." Partindo dessa última definição de que na essência do pensar está a autonomia, na Maçonaria o ato de pensar está diretamente ligado ao postulado da Liberdade. Liberdade para desenvolver seus conceitos a partir dos ensinamentos recebidos, porque somos livres e autônomos para falar e assumir posições, sem afastar-nos da filosofia maçônica e de seus princípios.

Filosoficamente, a Maçonaria mostra ao homem-maçom que ele tem um compromisso consigo
mesmo, com o seu pensar, o que fazer de sua própria existência. Pois, quando o homem
prescinde de si mesmo, de seus deveres, quando o homem abre mão da sua liberdade, da
quantificação do seu Eu, quando o homem esquece de si próprio, está a negar-se como Ser.
Como a intenção desta prancha não é a de aprofundar a busca filosófica da arte real, vamos
ao objetivo do pensar e o conhecer-se na Maçonaria, especialmente ao Primeiro Grau.

O Primeiro Grau se estereotipa no “conhece-te a ti mesmo”, divisa escolhida por Sócrates. O
grande pensador ensina ao maçom-aprendiz que a primeira coisa a fazer é aprender a pensar.
Aprendendo a pensar aprende-se a conhecer, a discernir, a falar. Aprendendo a pensar
encontraremos, sem dúvida, meios e modos que facilitam a busca, a procura, a investigação, o
ponto de chegada.

Assim, nesse vai-e-vem do pensar, nesse vai-e-vem da busca, o Aprendiz, introspectivamente,
passará a conhecer-se melhor. Conhecer é descobrir o Ser. Assim para o aprendiz, o descobrimento do Ser é o auto-conhecimento e deve levá-lo à introspeção, à análise da sua forma de vida antes da iniciação, estabelecendo a partir de então os limites entre o profano e o iniciado, corrigindo as eventuais falhas de construção de seu edifício, passando a pensar e agir dentro dos limites
estabelecidos, que pode significar simbolicamente o nascimento do novo Ser.

O Maçom estará pronto para a busca dos conhecimentos da Ordem a partir do auto-conhecimento e da “morte” dos resquícios contrários à filosofia maçônica inerentes ao profano.
“Conhece-te a ti mesmo” nos leva à conclusão de que se não praticarmos o conhecimento de
nós mesmos, se não nos propusermos a esmiuçar o nosso espírito com o objetivo de
melhorá-lo, com a intenção de aperfeiçoar nosso intelecto, não projetaremos em nós uma
melhoria moral, não conseguiremos desbastar a Pedra Bruta. 

O Primeiro Grau é onde utilizamos com maior propriedade os sentidos da visão e da audição. Com eles desenvolvemos o Pensar, estabelecemos relações e comparações que formarão os alicerces do desenvolvimento e nos ajudarão nos passos seguintes da caminhada. Lembrando que todos iniciamos na Ordem pela coluna do Sul, no primeiro grau, e cada um tem seu momento de despertar, porque não existe prazo determinado para o seguimento da jornada. O que deve acontecer é a maturação do iniciado, uma etapa de cada vez, um degrau após o outro, e mesmo assim sem jamais deixar de ser Aprendiz, sem jamais deixar de utilizar os sentidos da visão e da audição com sabedoria. Cada degrau da escada de Jacob inexiste sozinho, ele sempre será o resultado do somatório do conhecimento adquirido nos degraus anteriores.

Pratique o Pensar para conhecer-se, para então buscar o diferencial, a formatação do novo Eu
através do conhecimento, para a transformação, para o renascimento, para a prática da
verdadeira maçonaria.

A intenção desta prancha é a de incentivar os irmãos para o Pensar, o conhecer-se, que é na
minha opinião a primeira grande instrução do grau, para então desbravar, investigar a
verdade através da leitura, da interpretação dos símbolos e alegorias, e da troca de
experiências com os outros irmãos.

Gilson Alves, M.’. M.’.
Instrução apresentada em Sessão Grau 1 – 25 de maio de 2006. A .’. R.’. L.’. S.’. Plácido de
Castro  nº 251 - GORGS - filiada à COMAB, Santa Cruz do Sul, RS, Brasil.

Bibliografia:
Matthew Lipman – O Pensar na Educação;
Raimundo Rodrigues de Albuquerque – Texto
Raimundo Acreano Rodrigues – Texto
Considerações pessoais.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Nesta terça-feira, 11/08/2015, realizamos a Sess.: Mag.: de Inic.: de dois novos Irmãos...

12/08/2015 > Nesta última terça-feira realizou-se uma Sessão Magna de Iniciação de dois novos Irmãos - Fernando Henrique Chelli e Thiago Tadashi Takushi...
Sejam benvindos caros IIr.: Chelli e Thiago, nossos novos Aprendizes Maçons...

terça-feira, 12 de maio de 2015

Sess.: Mag.: Inic.: na ARLS "Clodoaldo de Oliveira" ao Or.: Pres. Venceslau, SP - no dia 03/05/2015

Loja Clodoaldo de Oliveira, Oriente de Presidente Venceslau, Realiza Sessão de Iniciação

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Dia 04/05/2015, segunda-feira, na ARLS "Clodoaldo de Oliveira", Oriente de Presidente Venceslau, foi realizado Sessão Magna de Iniciação de três novos Irmãos.
A Sessão foi muito bem conduzida pelo Venerável Mestre, Irmão Maurício Hernandes, servindo como 1º Vigilante, Irmão Luiz Henrique de Souza Soriano e 2º Vigilante, Irmão Amauri César da Silva Dias.
Foram iniciados: Alex Francis Matias , Luiz Fernando Campos Scalon e Francis Roberto dos Santos Oliveira.
Estavam presentes, as seguintes autoridades: representando o Eminente Grão-Mestre do Grande Oriente de São Paulo, Irmão Mário Sérgio Nunes da Costa, o Poderoso Irmão Flávio Augusto Batistela, Grande Secretário Adjunto de Comunicação e Imprensa; e Venerável Irmão, Edgar Franco da Rocha, Deputado Estadual da Poderosa Assembleia Estadual Legislativa - PAEL.
Após a sessão, foi servido um delicioso ágape fraternal, para a confraternização dos irmãos presentes.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

VOCÊ SABE VOTAR?



VOCÊ SABE VOTAR?
Colaboração
José Carlos Ramires
Um cidadão brasileiro...
26/09/2014
Faltando nove dias para as eleições de 2014
Crônica publicada em 26/set/2014 no jornal “O Oeste Paulista” de Santo Anastácio, SP

Você, meu caro leitor, que será um eleitor quando ficar de pé em frente a um pequeno aparelho conhecido por Urna Eletrônica. Você meu caro leitor e também eleitor, você sabe votar?
Pense bem antes de responder... Saberia nos dizer em quem votou na última eleição em 2010? Não quero saber de presidente ou governador... Quero saber em quem votou para deputado estadual, federal e senador. Ainda se lembra? Se a resposta for sim, provavelmente o seu voto foi consciente, caso contrário... Bem... Neste caso, cada um que tenha uma resposta...
A maioria dos eleitores acha mais importante votar nos cargos de funções executivas, presidente e governador.
No passado, votar em bichos, tais como o rinoceronte Cacareco ou o macaco Tião, expressou o descaso dos eleitores com as eleições legislativas. E muitos dizem que se constituem num voto de protesto.
Após a entrada das urnas eletrônicas, os animais são agora os da espécie humana, uma vez que não existe candidato animal que não seja da espécie “homo sapiens”. Mas ainda assim muitos “homos” esquisitos foram eleitos. Um deles, uma “figura estranha”, foi eleito em 2010 com expressiva votação.
As eleições estão chegando e até agora, segundo pesquisas do Ibope, apenas 12% dos paulistas e 11% dos cariocas já sabem em quem votar a Deputado Federal. E no âmbito estadual, tal fato também se repete. Isto nos dois estados ditos por muitos como os mais esclarecidos... Vejam a que ponto se chegou: quase 90% dos eleitores não sabem em quem votar!
Conclui-se daí, que o voto será nulo ou em branco, para deputados, e se indicar um nome, há que se digitar um número, e neste caso tal voto dependerá da indicação de alguém de sua família, ou de conhecidos.
Este é o diálogo mais comum... “Você tem em quem votar? Não? Então vote neste aqui.” E recebe um santinho com o número marcado, que é prá não se esquecer. Não é assim?
Ou então, quando no seu caminho para o voto, alguém lhe entrega discretamente alguns santinhos. Ou, se ninguém aparecer, provavelmente pegará um deles que estão no chão, que muitos pisotearam, e talvez, muitos destes eleitos nos pisotearão com suas espertezas e vilanias...
Após 30 dias da eleição de 2010, 22% dos eleitores não se lembravam em quem votara para deputado federal, 23% para deputado estadual e 21% a senador . Mas, para presidente da República, apenas 3% não se lembravam e para governador, o índice é um pouco maior, 11%. Neste caso os índices maiores ao esquecimento estão nos nossos representantes na Câmara e no Senado federal, e também nas Assembleias estaduais.
Na visão do brasileiro, o Presidente da República ainda é o principal mandatário, o ocupante do cargo capaz de resolver e aprovar as mais prementes e importantes questões que afligem o país. E que o Congresso Nacional é um lugar onde 594 políticos apenas criam problemas e só querem se dar bem.
Muitos ainda acham e parecem viver no século 19, quando o poder ainda era exercido pelo Imperador D. Pedro II, que derrubava o Parlamento (poder legislativo na época) sempre quando necessário. Ou então, no período da Ditadura militar, de 1963 a 1985, quando o Congresso Nacional funcionou boa parte do tempo, com as mãos e pés atados, sem condições de exercer o seu poder, ou seu papel, sob o risco de ser eliminado ou de perder o mandato...
E atualmente, depois da publicação da Constituição dita cidadã, os brasileiros se esquecem de que hoje, no desenho do sistema institucional, é justamente o Congresso que mais influencia as nossas vidas. Quem governa o país é o Congresso. É de lá que saem as principais mudanças, com aplicação imediata, ou com as manobras secretas de interesses difusos que, sem que se perceba, levam à falta de recursos para a saúde, educação e segurança.
E infelizmente, por causa dessa indiferença, ainda há brasileiros que votam em macacos e rinocerontes, elegendo ervas daninhas dos mais variados tipos.
Como o ser humano ainda não desenvolveu um sistema político menos imperfeito que a democracia, viver com seus desvios, ainda é um desafio e um aprendizado...
Só podemos dar uma opinião ou um conselho... Não deixem para escolher no último momento.
Conversam, discutam e escolham um candidato, não porque seja bonito, e nem por que ganhou alguma coisa em troca do voto. E muito menos ainda, não votem por protesto. Este protesto é inócuo.
De ervas daninhas já estamos cansados! Chega, vamos dar um basta! Não se esqueçam de que tais ervas são pragas! E pragas precisam ser eliminadas! Elas enfeiam o jardim de nossas casas...

26/09/2014
José Carlos Ramires

A MORTE DE UMA SENHORA...



A MORTE DE UMA SENHORA...
José Carlos Ramires
Colaborador
11/set/2014
Crônica publicada no jornal "O Oeste Paulista" em 12/09/2014 de Santo Anastácio, SP

Sempre que cruzo, ou pela esquina passo, entre a avenida D. Pedro II e Rua Oswaldo Cruz, junto à principal praça da cidade, sempre me chamou atenção a presença de um quase-monumento, bem neste cruzamento, ilustrando a morte de uma senhora.
Um monumento de madeira, que um dia pertenceu a um ser vivente, uma árvore. Não me lembro de qual espécie seria. Mas era uma árvore e isto já bastava. E agora, como que num brado de basta, penso no que teria acontecido.
Por que e por qual motivo esta senhora se encontra inerte e sem vida? Por um motivo ou outro, não seria preciosa a sua sombra, ao entardecer dos dias quentes da cidade? Por conta disto, todas as portas comerciais se adaptaram, colocando toldos verticais, para se esconderem nas sombras de um sol implacável no caminho do seu entardecer. Esta bela senhora, com sua frondosa sombra protegia, sem dúvida, os belos olhos dos compradores e trabalhadores que por ali compravam ou trabalhavam...
Mas a sua presença incomodava a visão dos negócios, e ela foi eliminada. Mas o seu cadáver lá se encontra. Este tronco inerte agora é um monumento, bem na esquina. E neste quarteirão da avenida D. Pedro, na verdade, uma menina, duas senhoras e cinco senhoritas, todas de verde, ainda vivem, como sobreviventes de uma luta ingrata.
Pois que das árvores tudo devemos; e das vidas vegetais, seja por um motivo ou outro, destas espécies vitais, somos eternos devedores. Sem estas espécies não sobreviveríamos...
Assim, como dizemos que a água é a fonte da vida, ainda complementamos que das vidas vegetais e do ar que compõe a atmosfera, somos totalmente dependentes e até da respiração destas vidas verdes (clorofila), somos eternamente gratos. Pois que como resultado desta respiração, estas vidas, aparentemente estáticas, sugam da atmosfera o oxigênio e o dióxido de carbono, o temível CO2, que são o alimento, junto com a água, que dão vida, à vida que todos vivemos. Graças ao Grande Criador do Universo, temos a presença do CO2 na atmosfera, pois que se assim não fosse, não teríamos vida neste planeta de nome Terra.
Sim, isto mesmo, sem o CO2 na atmosfera, não teríamos as árvores, não teríamos o feijão, o arroz, o trigo, o milho, a cana-de-açúcar, e tudo aquilo que de alimento animal o homem produz, como os bovinos, suínos, ovinos, os galináceos, e como consequência, tudo o que deles derivam: as carnes, ossos, leites, derivados de leite, etc., num mundo enorme de coisas das quais vivemos e nos alimentamos.
Não teríamos os móveis, as casas de madeira, os vinhos, os uísques, a cachaça, que muitos a apreciam, as cervejas dos fins-de-semana antecipados, nas sextas-feiras  com os amigos, o “repiauer” de nossas vidas. E o mais importante, não existiriam as conversas jogadas fora, as fofocas, os discursos inflamados, as opiniões formadas e também das desinformadas, enfim, não existiria o mais importante, não existiria a Vida... Como a conhecemos...
Ainda bem que existe o CO2, pois que sem ele não viveríamos. Isto pode parecer um paradoxo e uma heresia para muitos, como por exemplo, para os adeptos e crentes dos desastrados relatórios bienais do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, que, na sua essência, dizem que o homem é o responsável pelas emissões de CO2 que provocam o aquecimento global.
Supondo então, que se não houvesse o homem, não haveria CO2 na atmosfera,  não teríamos também a vida vegetal e sem esta vida vegetal, o mundo como hoje conhecemos não existiria. Nós não existiríamos... E nós, simples mortais, não estaríamos aqui, para contar estas estórias, eu não estaria escrevendo, e vocês, meus queridos leitores, não estariam lendo estas palavras...
Não teria havido, este 11 de setembro, e nem o de 2001, das torres gêmeas de Nova Iorque, abatidas que foram por conta da insensatez de alguns adeptos da violência para a conquista de suas verdades...
E que no próximo dia 02 de outubro ainda estejamos vivos para escolhermos os nossos dirigentes e representantes nas três Casas Legislativas...
Sem a água, sem o ar que respiramos, sem o CO2 (detestado pelos “ipecececistas”), ou seja, sem a atmosfera não existiria o mundo... Sem a inclinação em torno do Sol não existiríamos... Sem o caminho elíptico da Terra em torno do Sol, sem o nosso satélite, a Lua, não teríamos os movimentos dos oceanos e mares, e não suportaríamos a vida.
Sem tudo isto, e por muito mais, não teríamos as quatro estações do ano. Não teríamos a Primavera das Flores, o Verão da Fartura, o Outono da Preparação e o Inverno do Recolhimento... Não teríamos os dias longos e curtos... E nem as noites curtas e longas... Seria um Mundo sem Vida e um mundo sem vida seria um Mundo sem... Bem... O complemento desta frase, que cada um faça como quiser ou como achar de melhor... Portanto, finalizando, vivamos bem as nossas vidas, junto com os outros e com todos... Sejamos felizes... Com respeito, tolerância e harmonia...
Um bom fim-de-semana a todos...
Z. Ramires

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Aquela Sanfona Branca...

Aquela Sanfona Branca...

Lá vou eu, com mais uma...

Contam que, um dia, Luiz Gozaga chegou, de avião, ao Rio de Janeiro. 
Numa mão, uma sacola com roupas e na outra, a inseparável sanfona. Ele não andava sem ela!
No hall do aeroporto, algumas pessoas o cercaram, pedindo autógrafos. Ele já era famoso, naquele época.
Depois de atender todo mundo, como sempre fazia, notou que um adolescente alto e magro, cabelos compridos, ficara timidamente a uma certa distância, olhando insistentemente para ele. Lua se aproximou e perguntou, com seu jeitão espontâneo:
- Ôxente! E ocê, mô fi? O que que tu qué?

- Seu Luiz... - disse o jovem - eu queria... carregar sua sanfona, até o carro. Posso?

- E tu vai me cobrar quanto? - perguntou Luiz, estranhando o pedido do rapaz.

- Nada, Seu Luiz. Só pelo prazer de carregar ela mesmo. O senhor deixa?

- Ôxente... a gente vê cada uma!... Então tá. Qué carregá... carrega! Mais ói, faz besteira não, que eu tô de olho em tu, viste?

E o jovem, alegremente levou a famosa Sanfona Branca de Luiz do hall do aeroporto até o táxi, que o esperava.

- Obrigado, mô fi. Essa danada dessa sanfona é bem pesada mêrmo, né não?

- De nada, Seu Luiz. Foi uma honra!

- Iscuta... como é o seu nome? Perguntou Luiz, curioso.

- Benito! - disse o rapaz.

- Benito de que? Tu nun tem sobrenome não, peste?

- Benito de Paula, Sêo Luiz. Benito de Paula!...

Anos depois, "estourava" no Brasil inteiro uma canção do Benito de Paula, provavelmente inspirada naquele dia tão feliz, da sua adolescência. E Benito encantou nosso povo, cantando:

"Aquela sanfona branca,
aquele chapéu de couro,
é quem meu povo proclama,
Luiz Gonzaga é de Ouro".



Contribuição: Compadre Lemos

sábado, 1 de junho de 2013

Cap. 144 - Contos e Causos de um advogado...

Cap. 144 - Contos e causos de um advogado...

Cap. 144 - Contos e causos de um advogado...

Texto do capítulo do livro: “Código de Vida”, de Saulo Ramos,
advogado famoso, de longa e profícua vida nas lides jurídicas e políticas.
De Brodowski, 08/06/1929 – Ribeirão Preto, 28/04/2013, com 83 anos.
Foi Ministro da Justiça no governo José Sarney (1985-1990)...

Código da Vida, um romance da vida, de memórias, de suspense e da história recente da vida política do nosso Brasil. Um pouco de cada coisa, formando um todo de muito interesse, de interesse inebriante, contagiante, que de qualquer modo, encanta, e nos abduz a seguir, sem descanso, porém com prazer, na lida da leitura.
José Carlos Ramires
Junho/2013, 1º dia

A
dvogado. Coisa estranha. No princípio, me senti meio padre, meio psiquiatra. As pessoas contavam seus dramas, nem sempre fielmente; mas eu as ouvia com atenção, para pinçar, no meio da história, algo que demonstrasse um ponto de direito lesado, que, afinal, deveria ser o objeto da causa.
            Depois, sozinho, estudava tudo. Ráo[1], meu chefe, ensinava: “Primeiro, leia a lei de regência e verifique você mesmo o que a norma lhe diz. Reflita e tire suas próprias conclusões. Jurisprudência e doutrina ajudam, mas são subsídios que se agregam depois”.
            Do ponto de vista jurídico, aprendi que a aflição humana causada por uma lesão de direito, por mais individual que seja sempre é um fato social, porque resulta de costumes, da convivência, de atritos, da cultura e da previsão legislativa. Fato social.
            Assim, fui entrando para os tribunais com o fato social às costas, enfiando-lhes roupas antigas, costuradas por Vivante, Carnelutti, Clóvis, Pontes, Ráo, Mazeaud e Mazeaud, Kelsen.[2] De quando em vez, um remendo era meu. Roupa nova no fato social. Sobretudo naquele atormentado pela dor na alma.
            E começou um não-acabar-mais. Clientes, clientes, clientes, grandes empresas, gente famosa, gente pobre, gente rica, gente e mais gente.
            Adeus, abacaxi de Brodowski; adeus, cafezais de Cravinhos; adeus, chope do Pinguin; adeus, Ribeirão Preto; adeus, meu jornalismo de Santos. Agora, esta em São Paulo, rodeado de gente e de fatos sociais, lendo leis, estudando direito, devorando livros.
            Sem perceber exatamente quando, transformei-me em advogado famoso, considerando-se  que a fama é medida pela afluência de clientes. Por mais que quisesse, hora para consulta começou a escassear. Novos clientes na fila, esperando meses, fato que os fascinava e os mantinha à espera quando não havia urgência.
            Fui um ganhador de causas. Venci quase todas. Não sei como sabiam disso, pois não fazia publicidade. Jamais permiti notícias sobre resultados de processos, até porque, longe da imprensa, o litígio é mais sereno para o cliente, para o advogado e para o juiz.
            Mas as pessoas ficavam sabendo e forçavam a porta do escritório, para alegria das minhas secretárias, meus assistentes e meus colegas e para o meu cansaço, embora, ao aceitar uma causa, passasse a dar tudo de mim, como se fosse a única.
            Claro que a privilegiada situação profissional rendeu dividendos. Nas proporções devidas, ganhei bem. A Vicente Ráo, que sabia tudo de quase tudo, consegui, depois de muito tempo, ensina uma única coisa: cobrar honorários.
            No escritório, porém, jamais deixei de atender a pessoas pobres, que nada podiam pagar, quando o caso era de evidente justiça.
            Tive enorme prazer em atender a um paraplégico pobre e ganhar sua causa depois de longa demanda. O caso dele despertou-me para um problema: no Brasil, não existia um único texto legal em defesa do deficiente físico. Dei-lhe até os honorários de sucumbência, isto é, pratiquei o assistencialismo, mas senti que o problema era mais profundo e ficou me remoendo. Muitas pessoas sem recursos me provuravam por ouvir dizer. Entre os ilustres clientes “de graça”, a UNE (União Nacional dos Estudantes), que tinha como presidente Lindbergh Farias, hoje senador e pelo PT, eleito pelo Estado do Rio de Janeiro. Sua maior qualidade, no entanto, era a simpatia e o sotaque de paraibano. Ganhei para eles o direito de pagar meia-entrada em todos os espetáculos públicos, a começar pelo cinema. Quando vinha o cliente pobre, a primeira frase era comum a todos: “Não posso, doutor, para um advogado como o senhor, mas...”. Depois desse “mas”, quase sempre um drama humano, a angústia, a dor, o pedido de socorro.
            Se a causa fosse simples, encaminhava para advogados mais jovens e os compensava com participação em outras, de boa remuneração. Se a questão de direito fosse intrincada, eu mesmo ficava com o problema. E um pobre, pela simplicidade de suas vidas e relações, pode ter questão de direito complexa? Pode, e como!
            Nada disso foi feito por demagogia ou por exibicionismo, mesmo porque, como já disse, jamais fiz publicidade ou permiti noticiário sobre meus casos. Há um momento na vida de todo homem em que o exercício da solidariedade, por ternura ou amor ao próximo, não depende de remuneração. Creio que os advogados, quase todos, cultivam esse sentimento. Enfim, esses auto-elogios estão sendo escritos num elegante – penso eu – exercício de cabotinismo[3], para contar como fiquei sabendo da existência desse bicho chamado advogado.

...E aqui termina este capítulo para começar outro recomeço.  O do início dos primeiros contatos do dr. Saulo, quando criança, com a justiça e com advogados... E que talvez explique o seu despertar para a lide judiciária.
Aguarde o próximo capítulo... O de nº 145...
José Carlos Ramires
01/junho/2013





[1] Vicente Paulo Francisco Rao1 (São Paulo, 16 de junho de 1892 — São Paulo, 19 de janeiro de 1978) foi um advogado, jurista, professor e político brasileiro. ­ - http://pt.wikipedia.org/wiki/Vicente_Rao
[2] Todos advogados e jurista famosos
[3] substantivo masculino
Derivação: por extensão de sentido -Tendência a atrair ou tentar atrair sobre si as atenções