segunda-feira, 29 de setembro de 2014

VOCÊ SABE VOTAR?



VOCÊ SABE VOTAR?
Colaboração
José Carlos Ramires
Um cidadão brasileiro...
26/09/2014
Faltando nove dias para as eleições de 2014
Crônica publicada em 26/set/2014 no jornal “O Oeste Paulista” de Santo Anastácio, SP

Você, meu caro leitor, que será um eleitor quando ficar de pé em frente a um pequeno aparelho conhecido por Urna Eletrônica. Você meu caro leitor e também eleitor, você sabe votar?
Pense bem antes de responder... Saberia nos dizer em quem votou na última eleição em 2010? Não quero saber de presidente ou governador... Quero saber em quem votou para deputado estadual, federal e senador. Ainda se lembra? Se a resposta for sim, provavelmente o seu voto foi consciente, caso contrário... Bem... Neste caso, cada um que tenha uma resposta...
A maioria dos eleitores acha mais importante votar nos cargos de funções executivas, presidente e governador.
No passado, votar em bichos, tais como o rinoceronte Cacareco ou o macaco Tião, expressou o descaso dos eleitores com as eleições legislativas. E muitos dizem que se constituem num voto de protesto.
Após a entrada das urnas eletrônicas, os animais são agora os da espécie humana, uma vez que não existe candidato animal que não seja da espécie “homo sapiens”. Mas ainda assim muitos “homos” esquisitos foram eleitos. Um deles, uma “figura estranha”, foi eleito em 2010 com expressiva votação.
As eleições estão chegando e até agora, segundo pesquisas do Ibope, apenas 12% dos paulistas e 11% dos cariocas já sabem em quem votar a Deputado Federal. E no âmbito estadual, tal fato também se repete. Isto nos dois estados ditos por muitos como os mais esclarecidos... Vejam a que ponto se chegou: quase 90% dos eleitores não sabem em quem votar!
Conclui-se daí, que o voto será nulo ou em branco, para deputados, e se indicar um nome, há que se digitar um número, e neste caso tal voto dependerá da indicação de alguém de sua família, ou de conhecidos.
Este é o diálogo mais comum... “Você tem em quem votar? Não? Então vote neste aqui.” E recebe um santinho com o número marcado, que é prá não se esquecer. Não é assim?
Ou então, quando no seu caminho para o voto, alguém lhe entrega discretamente alguns santinhos. Ou, se ninguém aparecer, provavelmente pegará um deles que estão no chão, que muitos pisotearam, e talvez, muitos destes eleitos nos pisotearão com suas espertezas e vilanias...
Após 30 dias da eleição de 2010, 22% dos eleitores não se lembravam em quem votara para deputado federal, 23% para deputado estadual e 21% a senador . Mas, para presidente da República, apenas 3% não se lembravam e para governador, o índice é um pouco maior, 11%. Neste caso os índices maiores ao esquecimento estão nos nossos representantes na Câmara e no Senado federal, e também nas Assembleias estaduais.
Na visão do brasileiro, o Presidente da República ainda é o principal mandatário, o ocupante do cargo capaz de resolver e aprovar as mais prementes e importantes questões que afligem o país. E que o Congresso Nacional é um lugar onde 594 políticos apenas criam problemas e só querem se dar bem.
Muitos ainda acham e parecem viver no século 19, quando o poder ainda era exercido pelo Imperador D. Pedro II, que derrubava o Parlamento (poder legislativo na época) sempre quando necessário. Ou então, no período da Ditadura militar, de 1963 a 1985, quando o Congresso Nacional funcionou boa parte do tempo, com as mãos e pés atados, sem condições de exercer o seu poder, ou seu papel, sob o risco de ser eliminado ou de perder o mandato...
E atualmente, depois da publicação da Constituição dita cidadã, os brasileiros se esquecem de que hoje, no desenho do sistema institucional, é justamente o Congresso que mais influencia as nossas vidas. Quem governa o país é o Congresso. É de lá que saem as principais mudanças, com aplicação imediata, ou com as manobras secretas de interesses difusos que, sem que se perceba, levam à falta de recursos para a saúde, educação e segurança.
E infelizmente, por causa dessa indiferença, ainda há brasileiros que votam em macacos e rinocerontes, elegendo ervas daninhas dos mais variados tipos.
Como o ser humano ainda não desenvolveu um sistema político menos imperfeito que a democracia, viver com seus desvios, ainda é um desafio e um aprendizado...
Só podemos dar uma opinião ou um conselho... Não deixem para escolher no último momento.
Conversam, discutam e escolham um candidato, não porque seja bonito, e nem por que ganhou alguma coisa em troca do voto. E muito menos ainda, não votem por protesto. Este protesto é inócuo.
De ervas daninhas já estamos cansados! Chega, vamos dar um basta! Não se esqueçam de que tais ervas são pragas! E pragas precisam ser eliminadas! Elas enfeiam o jardim de nossas casas...

26/09/2014
José Carlos Ramires

A MORTE DE UMA SENHORA...



A MORTE DE UMA SENHORA...
José Carlos Ramires
Colaborador
11/set/2014
Crônica publicada no jornal "O Oeste Paulista" em 12/09/2014 de Santo Anastácio, SP

Sempre que cruzo, ou pela esquina passo, entre a avenida D. Pedro II e Rua Oswaldo Cruz, junto à principal praça da cidade, sempre me chamou atenção a presença de um quase-monumento, bem neste cruzamento, ilustrando a morte de uma senhora.
Um monumento de madeira, que um dia pertenceu a um ser vivente, uma árvore. Não me lembro de qual espécie seria. Mas era uma árvore e isto já bastava. E agora, como que num brado de basta, penso no que teria acontecido.
Por que e por qual motivo esta senhora se encontra inerte e sem vida? Por um motivo ou outro, não seria preciosa a sua sombra, ao entardecer dos dias quentes da cidade? Por conta disto, todas as portas comerciais se adaptaram, colocando toldos verticais, para se esconderem nas sombras de um sol implacável no caminho do seu entardecer. Esta bela senhora, com sua frondosa sombra protegia, sem dúvida, os belos olhos dos compradores e trabalhadores que por ali compravam ou trabalhavam...
Mas a sua presença incomodava a visão dos negócios, e ela foi eliminada. Mas o seu cadáver lá se encontra. Este tronco inerte agora é um monumento, bem na esquina. E neste quarteirão da avenida D. Pedro, na verdade, uma menina, duas senhoras e cinco senhoritas, todas de verde, ainda vivem, como sobreviventes de uma luta ingrata.
Pois que das árvores tudo devemos; e das vidas vegetais, seja por um motivo ou outro, destas espécies vitais, somos eternos devedores. Sem estas espécies não sobreviveríamos...
Assim, como dizemos que a água é a fonte da vida, ainda complementamos que das vidas vegetais e do ar que compõe a atmosfera, somos totalmente dependentes e até da respiração destas vidas verdes (clorofila), somos eternamente gratos. Pois que como resultado desta respiração, estas vidas, aparentemente estáticas, sugam da atmosfera o oxigênio e o dióxido de carbono, o temível CO2, que são o alimento, junto com a água, que dão vida, à vida que todos vivemos. Graças ao Grande Criador do Universo, temos a presença do CO2 na atmosfera, pois que se assim não fosse, não teríamos vida neste planeta de nome Terra.
Sim, isto mesmo, sem o CO2 na atmosfera, não teríamos as árvores, não teríamos o feijão, o arroz, o trigo, o milho, a cana-de-açúcar, e tudo aquilo que de alimento animal o homem produz, como os bovinos, suínos, ovinos, os galináceos, e como consequência, tudo o que deles derivam: as carnes, ossos, leites, derivados de leite, etc., num mundo enorme de coisas das quais vivemos e nos alimentamos.
Não teríamos os móveis, as casas de madeira, os vinhos, os uísques, a cachaça, que muitos a apreciam, as cervejas dos fins-de-semana antecipados, nas sextas-feiras  com os amigos, o “repiauer” de nossas vidas. E o mais importante, não existiriam as conversas jogadas fora, as fofocas, os discursos inflamados, as opiniões formadas e também das desinformadas, enfim, não existiria o mais importante, não existiria a Vida... Como a conhecemos...
Ainda bem que existe o CO2, pois que sem ele não viveríamos. Isto pode parecer um paradoxo e uma heresia para muitos, como por exemplo, para os adeptos e crentes dos desastrados relatórios bienais do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, que, na sua essência, dizem que o homem é o responsável pelas emissões de CO2 que provocam o aquecimento global.
Supondo então, que se não houvesse o homem, não haveria CO2 na atmosfera,  não teríamos também a vida vegetal e sem esta vida vegetal, o mundo como hoje conhecemos não existiria. Nós não existiríamos... E nós, simples mortais, não estaríamos aqui, para contar estas estórias, eu não estaria escrevendo, e vocês, meus queridos leitores, não estariam lendo estas palavras...
Não teria havido, este 11 de setembro, e nem o de 2001, das torres gêmeas de Nova Iorque, abatidas que foram por conta da insensatez de alguns adeptos da violência para a conquista de suas verdades...
E que no próximo dia 02 de outubro ainda estejamos vivos para escolhermos os nossos dirigentes e representantes nas três Casas Legislativas...
Sem a água, sem o ar que respiramos, sem o CO2 (detestado pelos “ipecececistas”), ou seja, sem a atmosfera não existiria o mundo... Sem a inclinação em torno do Sol não existiríamos... Sem o caminho elíptico da Terra em torno do Sol, sem o nosso satélite, a Lua, não teríamos os movimentos dos oceanos e mares, e não suportaríamos a vida.
Sem tudo isto, e por muito mais, não teríamos as quatro estações do ano. Não teríamos a Primavera das Flores, o Verão da Fartura, o Outono da Preparação e o Inverno do Recolhimento... Não teríamos os dias longos e curtos... E nem as noites curtas e longas... Seria um Mundo sem Vida e um mundo sem vida seria um Mundo sem... Bem... O complemento desta frase, que cada um faça como quiser ou como achar de melhor... Portanto, finalizando, vivamos bem as nossas vidas, junto com os outros e com todos... Sejamos felizes... Com respeito, tolerância e harmonia...
Um bom fim-de-semana a todos...
Z. Ramires

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Aquela Sanfona Branca...

Aquela Sanfona Branca...

Lá vou eu, com mais uma...

Contam que, um dia, Luiz Gozaga chegou, de avião, ao Rio de Janeiro. 
Numa mão, uma sacola com roupas e na outra, a inseparável sanfona. Ele não andava sem ela!
No hall do aeroporto, algumas pessoas o cercaram, pedindo autógrafos. Ele já era famoso, naquele época.
Depois de atender todo mundo, como sempre fazia, notou que um adolescente alto e magro, cabelos compridos, ficara timidamente a uma certa distância, olhando insistentemente para ele. Lua se aproximou e perguntou, com seu jeitão espontâneo:
- Ôxente! E ocê, mô fi? O que que tu qué?

- Seu Luiz... - disse o jovem - eu queria... carregar sua sanfona, até o carro. Posso?

- E tu vai me cobrar quanto? - perguntou Luiz, estranhando o pedido do rapaz.

- Nada, Seu Luiz. Só pelo prazer de carregar ela mesmo. O senhor deixa?

- Ôxente... a gente vê cada uma!... Então tá. Qué carregá... carrega! Mais ói, faz besteira não, que eu tô de olho em tu, viste?

E o jovem, alegremente levou a famosa Sanfona Branca de Luiz do hall do aeroporto até o táxi, que o esperava.

- Obrigado, mô fi. Essa danada dessa sanfona é bem pesada mêrmo, né não?

- De nada, Seu Luiz. Foi uma honra!

- Iscuta... como é o seu nome? Perguntou Luiz, curioso.

- Benito! - disse o rapaz.

- Benito de que? Tu nun tem sobrenome não, peste?

- Benito de Paula, Sêo Luiz. Benito de Paula!...

Anos depois, "estourava" no Brasil inteiro uma canção do Benito de Paula, provavelmente inspirada naquele dia tão feliz, da sua adolescência. E Benito encantou nosso povo, cantando:

"Aquela sanfona branca,
aquele chapéu de couro,
é quem meu povo proclama,
Luiz Gonzaga é de Ouro".



Contribuição: Compadre Lemos

sábado, 1 de junho de 2013

Cap. 144 - Contos e Causos de um advogado...

Cap. 144 - Contos e causos de um advogado...

Cap. 144 - Contos e causos de um advogado...

Texto do capítulo do livro: “Código de Vida”, de Saulo Ramos,
advogado famoso, de longa e profícua vida nas lides jurídicas e políticas.
De Brodowski, 08/06/1929 – Ribeirão Preto, 28/04/2013, com 83 anos.
Foi Ministro da Justiça no governo José Sarney (1985-1990)...

Código da Vida, um romance da vida, de memórias, de suspense e da história recente da vida política do nosso Brasil. Um pouco de cada coisa, formando um todo de muito interesse, de interesse inebriante, contagiante, que de qualquer modo, encanta, e nos abduz a seguir, sem descanso, porém com prazer, na lida da leitura.
José Carlos Ramires
Junho/2013, 1º dia

A
dvogado. Coisa estranha. No princípio, me senti meio padre, meio psiquiatra. As pessoas contavam seus dramas, nem sempre fielmente; mas eu as ouvia com atenção, para pinçar, no meio da história, algo que demonstrasse um ponto de direito lesado, que, afinal, deveria ser o objeto da causa.
            Depois, sozinho, estudava tudo. Ráo[1], meu chefe, ensinava: “Primeiro, leia a lei de regência e verifique você mesmo o que a norma lhe diz. Reflita e tire suas próprias conclusões. Jurisprudência e doutrina ajudam, mas são subsídios que se agregam depois”.
            Do ponto de vista jurídico, aprendi que a aflição humana causada por uma lesão de direito, por mais individual que seja sempre é um fato social, porque resulta de costumes, da convivência, de atritos, da cultura e da previsão legislativa. Fato social.
            Assim, fui entrando para os tribunais com o fato social às costas, enfiando-lhes roupas antigas, costuradas por Vivante, Carnelutti, Clóvis, Pontes, Ráo, Mazeaud e Mazeaud, Kelsen.[2] De quando em vez, um remendo era meu. Roupa nova no fato social. Sobretudo naquele atormentado pela dor na alma.
            E começou um não-acabar-mais. Clientes, clientes, clientes, grandes empresas, gente famosa, gente pobre, gente rica, gente e mais gente.
            Adeus, abacaxi de Brodowski; adeus, cafezais de Cravinhos; adeus, chope do Pinguin; adeus, Ribeirão Preto; adeus, meu jornalismo de Santos. Agora, esta em São Paulo, rodeado de gente e de fatos sociais, lendo leis, estudando direito, devorando livros.
            Sem perceber exatamente quando, transformei-me em advogado famoso, considerando-se  que a fama é medida pela afluência de clientes. Por mais que quisesse, hora para consulta começou a escassear. Novos clientes na fila, esperando meses, fato que os fascinava e os mantinha à espera quando não havia urgência.
            Fui um ganhador de causas. Venci quase todas. Não sei como sabiam disso, pois não fazia publicidade. Jamais permiti notícias sobre resultados de processos, até porque, longe da imprensa, o litígio é mais sereno para o cliente, para o advogado e para o juiz.
            Mas as pessoas ficavam sabendo e forçavam a porta do escritório, para alegria das minhas secretárias, meus assistentes e meus colegas e para o meu cansaço, embora, ao aceitar uma causa, passasse a dar tudo de mim, como se fosse a única.
            Claro que a privilegiada situação profissional rendeu dividendos. Nas proporções devidas, ganhei bem. A Vicente Ráo, que sabia tudo de quase tudo, consegui, depois de muito tempo, ensina uma única coisa: cobrar honorários.
            No escritório, porém, jamais deixei de atender a pessoas pobres, que nada podiam pagar, quando o caso era de evidente justiça.
            Tive enorme prazer em atender a um paraplégico pobre e ganhar sua causa depois de longa demanda. O caso dele despertou-me para um problema: no Brasil, não existia um único texto legal em defesa do deficiente físico. Dei-lhe até os honorários de sucumbência, isto é, pratiquei o assistencialismo, mas senti que o problema era mais profundo e ficou me remoendo. Muitas pessoas sem recursos me provuravam por ouvir dizer. Entre os ilustres clientes “de graça”, a UNE (União Nacional dos Estudantes), que tinha como presidente Lindbergh Farias, hoje senador e pelo PT, eleito pelo Estado do Rio de Janeiro. Sua maior qualidade, no entanto, era a simpatia e o sotaque de paraibano. Ganhei para eles o direito de pagar meia-entrada em todos os espetáculos públicos, a começar pelo cinema. Quando vinha o cliente pobre, a primeira frase era comum a todos: “Não posso, doutor, para um advogado como o senhor, mas...”. Depois desse “mas”, quase sempre um drama humano, a angústia, a dor, o pedido de socorro.
            Se a causa fosse simples, encaminhava para advogados mais jovens e os compensava com participação em outras, de boa remuneração. Se a questão de direito fosse intrincada, eu mesmo ficava com o problema. E um pobre, pela simplicidade de suas vidas e relações, pode ter questão de direito complexa? Pode, e como!
            Nada disso foi feito por demagogia ou por exibicionismo, mesmo porque, como já disse, jamais fiz publicidade ou permiti noticiário sobre meus casos. Há um momento na vida de todo homem em que o exercício da solidariedade, por ternura ou amor ao próximo, não depende de remuneração. Creio que os advogados, quase todos, cultivam esse sentimento. Enfim, esses auto-elogios estão sendo escritos num elegante – penso eu – exercício de cabotinismo[3], para contar como fiquei sabendo da existência desse bicho chamado advogado.

...E aqui termina este capítulo para começar outro recomeço.  O do início dos primeiros contatos do dr. Saulo, quando criança, com a justiça e com advogados... E que talvez explique o seu despertar para a lide judiciária.
Aguarde o próximo capítulo... O de nº 145...
José Carlos Ramires
01/junho/2013





[1] Vicente Paulo Francisco Rao1 (São Paulo, 16 de junho de 1892 — São Paulo, 19 de janeiro de 1978) foi um advogado, jurista, professor e político brasileiro. ­ - http://pt.wikipedia.org/wiki/Vicente_Rao
[2] Todos advogados e jurista famosos
[3] substantivo masculino
Derivação: por extensão de sentido -Tendência a atrair ou tentar atrair sobre si as atenções

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

20/08/2012 > Discurso de Joaquim Gonçalves Ledo em 20 de agosto de 1822...

Discurso Proferido por Joaquim Gonçalves Ledo na Loja Maçônica “Comércio e Artes” no Rio de Janeiro, em 20/agosto/1822

Joaquim Gonçalves Ledo foi um dos maiores autores da Independência, se não o maior. A peça de arquitetura que a seguir transcrevemos do Boletim do GOB (julho/agosto, de 1963), é dirigida ao hesitante Príncipe D. Pedro e entre seus arrojados conceitos lá esta a antecipação da Doutrina de Monroe.

SENHOR! A natureza, a razão e a humanidade, este feixe indissolúvel e sagrado, que nenhuma força humana pode quebrar, gravaram no coração do homem uma propensão irresistível para, por todos os meios e com todas as forças em todas as épocas e em todos os lugares, buscarem ou melhorarem o seu bem estar. Este principio tão santo como a sua origem, e de centuplicada força quando aplicado as nações, era de sobra para o Brasil, esta porção preciosa do globo habitado, não acedesse a inerte expectação de sua futura sorte, tal qual fosse decretada longe de seus lugares e no meio de uma potência (Portugal) que deveria reconhecer inimiga de sua glória, zelosa de sua grandeza, e que bastante deixava ver pelo seu Manifesto às nações que queria firmar a sua ressurreição política sobre a morte do nascente Império Luso-Brasileiro, pois baseava as razões de sua decadência sobre a elevação gloriosa deste filho da América – o Brasil.
Se a esta tão óbvia e justa consideração quisesse juntar a sua dolorosa experiência de trezentos e oito anos, em que o Brasil só existira para Portugal para pagar tributos que motivos não encontraria na cadeia tenebrosa de seus males para chamar a atenção e vigilância de todos os seus filhos a usar da soberania que lhe compete, e dos mesmo direitos de que usara Portugal e por si mesmo tratar de sua existência e representação política, da sua prosperidade e da sua constituição? Sim, o Brasil podia dizer a Portugal: “Desde que o sol abriu o seu túmulo e dele me fez saltar para apresentar-se ao ditoso Cabral a minha fertilidade, a minha riqueza, a minha prosperidade, tudo te sacrifiquei, tudo te dei, e tu que me deste? Escravidão e só escravidão. Cavavam o seio das montanhas, penetravam o centro do meu solo para te mandarem o ouro, com que pagavas as nações estrangeiras a tua conservação e as obras com que decoras a tua majestosa capital; e tu quando a sôfrega ambição devorou os tesouros, que sob mão se achavam nos meus terrenos, quisestes impor-me o mais odioso dos tributos, a “capitação”. Mudavam o curso dos meus caudolosso rios para arrancarem de seus leitos os diamantes que brilham na coroa do monarca; despiam as minhas florestas para enriquecerem a tua grandeza, que todavia deixava cair das enfraquecidas mãos … E tu que deste? Opressão e vilipêndio! Mandavas queimar os filatórios e teares, onde minha nascente indústria beneficiava o algodão para vestir os meus filhos; negavas-me a luz das ciências para que não pudesse conhecer os meus direitos nem figurar entre os povos cultos; acanhavas a minha indústria para me conservares na mais triste dependência da tua; desejavas até diminuir as fontes da minha natural grandeza e não querias que eu conhecesse o Universo senão o pequeno terreno que tu ocupas. Eu acolhi no meu seio os teus filhos a que doirava a existência e tu me mandavas em paga tiranos indomáveis que me laceravam.
Agora é tempo de reempossar-me de minha Liberdade; basta de oferecer-me em sacrifício as tuas interessadas vistas. Assaz te conheci, demasiando te servi… – os povos não são propriedade de ninguém.
Talvez o Congresso de Lisboa no devaneio de sua fúria ( e será uma nova inconseqüência) dê o nome rebelião ao passo heróico das províncias do Brasil a reassunção de sua soberania desprezada; mas se o fizer, deverá primeiro declarar rebelde a Razão, que prescreve aos homens não se deixarem esmagar pelos outros homens, deverá declarar rebelde a Natureza, que ensinou aos filhos a separarem-se dos seus pais, quando tocam a época de sua virilidade; é mister declarar rebelde a Justiça, que não autoriza usurpação, nem perfídias; é mister declarar rebelde o próprio Portugal, que encetou a macha de sua monarquia, separando-se de Castela; é mister declarar-se rebelde a si mesmo (esse Congresso), porque se a força irresistível das coisas prometia a futura desunião dos dois Reinos os seus procedimentos aceleraram esta época, sem dúvida fatal para outra parte da nação que se queira engrandecer.
O Brasil, elevado à categoria de Reino, reconhecido por todas as potencias e com todas as formalidades que fazem o direito público na Europa, tem inquestionavelmente jus a reempossar-se da porção de soberania que lhe compete, porque o estabelecimento da ordem constitucional é negócio privativo de cada povo.
A independência, Senhor, no sentido dos mais abalizados políticos, é inata nas colônias, como a separação das famílias o é na Humanidade.
A natureza não formou satélites maiores que os seus planetas. A América deve pertencer à America, e Europa à Europa, porque não debalde o Grande Arquiteto do Universo meteu entre elas o espaço imenso que as separa. O momento para estabelecer-se um perdurável sistema, e ligar todas as partes do nosso grande todo, é este…
O Brasil, no meio das nações independentes, e que falam com exemplo de felicidade, não pode conservar-se colonialmente sujeito a uma nação remota e pequena, sem forças para defendê-lo e ainda para conquistá-lo. As nações do Universo têm os olhos sobre nós, brasileiros, e sobre ti, Príncipe !
Cumpre aparecer entre elas como rebeldes ou como homens livres e dignos de o ser. Tu já conheces os bens e os males que te esperam e à tua posteridade. Queres ou não queres
Resolve, Senhor!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Mensagem do Venerável Mestre para a Administração 2012-2013


MENSAGEM DO VENERÁVEL MESTRE

Estamos assumindo novamente a direção dos trabalhos de nossa Loja. Agradeço em nome de toda a diretoria a confiança e o apoio dos irmãos, e dizer que estamos sempre abertos a novas propostas e idéias que venham a contribuir para o crescimento e o engrandecimento de nossa Loja.

Em nossa primeira administração comparada a um navio que parte rumo a uma jornada, nos deparamos com águas tranquilas e serenas, graças à perfeita harmonia que encontramos em nossa Loja, fruto do trabalho dos irmãos que nos antecederam em administrações anteriores.

Em breve estaremos iniciando uma nova jornada desta vez com um pouco mais de sabedoria e experiência, sempre contando com a proteção do G.:A.:D.:U.: e apoio dos irmãos, olhando para o futuro sem se esquecer do aprendizado que tivemos no passado.

Tendo o G.:A.:D.:U.: como nosso guia, que esta nova viagem seja de paz e tranqüilidade, e que no ponto mais alto de nosso navio ergamos a Bandeira de nossa Pátria e o Estandarte de nossa Loja, para que todos possam ver quem somos, o que somos e o que representamos.


Carlos Eduardo A. de Freitas
Venerável Mestre
Administração 2012 - 2013

ADMINISTRAÇÃO DA LOJA 2012-2013


ADMINISTRAÇÃO DA LOJA
DIRETORIA:
VENERÁVEL MESTRE           Carlos Eduardo Assumpção de Freitas
1°  VIGILANTE                          Ademir Ayres de Oliveira
2°  VIGILANTE                          João Machado Neto
ORADOR                                  Norberto Lozano Gonçales
Adjunto             Jairo Lause Villas Bôas
SECRETÁRIO                          Kedley Finassi
Adjunto             Juliano Nendza Dias
TESOUREIRO                         José de Jesus Santos
                            Adjunto              Siderval Dias
CHANCELER                           Rodrigo César I. de Souza
                            Adjunto              Joaquim Guilherme Pretel
OFICIAIS DA LOJA:
Mestre de Cerimônia             Moacir Azzolini Tetila
Adjunto                                          Luis Oscar Samacoits  
Hospitaleiro                             José Olavo de Lima
Adjunto                                          Silvio Balarin               
1º Diácono                               José Augusto O. Isquerdo.
2º Diácono                               Roberto Henrique Hengstmann
1º Experto                                 Renato Lençoni Lozano           
2º Experto                                 Juliano Nendza Dias    
3º Experto                                 Uilson Aparecido Ulian
Porta Bandeira                        Paulo Pedro Ribas
Porta Estandarte                     Joaquim Guilherme Pretel
Porta Espada                           Ari José Cordeiro
Cobridor Interno                      João Luis Bravo Mendes.                    
Cobridor Externo                     Uilson Aparecido Ulian Filho
Mestre de Harmonia               Tiago Lençoni Lozano
Adjunto                                            Roberto Henrique Hengstmann
Arquiteto                                    Gilson  R. Ozawa.       
Mestre de Banquete                Luiz Sérgio Bearari
Bibliotecário                              Luís Oscar Samacoits

DEPUTADOS: Deputado Federal:   Valdomiro Finassi
                                          Suplente:       José Carlos de Souza
                            Deputado Estadual:   José Carlos Ramires
                                           Suplente:      Kedley Finassi

COMISSÕES - Artigo 110 e seguintes do RGF

Comissão de Justiça: José Carlos de Souza (Presidente) - Joaquim Guilherme Pretel, Jairo Lause Villas Bôas e Paulo Pedro Ribas.
Comissão de Finanças: Ari José Cordeiro (Presidente) - Odacir Marinelli Bonilha e Uilson Aparecido Ulian.
Comissão de Admissão e Graus: Ademir Ayres de Oliveira (Presidente) - José Giometti e Renato Lençoni Lozano.
Comissão de Beneficência: José Olavo de Lima (Presidente) - Juliano Nendza Dias e Silvio Balarim.
Comissão de Cultura e Ritualística: Geraldo Sekine Junior (Presidente) - Tiago Lençoni Lozano, Geraldo José Y. Takushi e Kedley Finassi.
Comissão de Patrimônio: João Machado Neto (Presidente) - José Olavo de Lima, Luís Oscar Samacoits e Siderval Dias.
Comissão de Ação Paramaçônica: Valdomiro Finassi (Presidente) - José Carlos Ramires e Roberto Henrique Hengstmann.
Comissão de Promoções e Eventos: Luiz Sérgio Bearari (Presidente) - Rodrigo Cesar Iope de Souza, Moacir Azzolini Tetila, João Luís Bravo Mendes, Uilson Aparecido Ulian Filho e Cláudio Marcelo Ostete.
Comissão de Construção e Reformas: José Augusto Olhera Isquerdo (Presidente) - José Samorano Subires, Gilson Roberto Ozawa e José de Jesus Santos.